Paris, Delhi, Atenas, Viena e Washington são os destinos - Foto: Reprodução/Internet
Malas Prontas

TOP 5 cidades para amantes da Literatura e História

Vamos mostrar alguns lugares que, combinados com a história, ficam muito mais interessantes

Por Marina Motta – (Diretora do STB Recife, fluente em cinco idiomas, já percorreu mais de 45 países, fez 11 intercâmbios e é autora dos livros Intercâmbio de A a Z e Intercâmbio na Era Digital)

Você não precisa gostar de história e literatura para gostar de viagens porém para quem gosta dos três definitivamente conhecer determinados lugares do mundo tem um sabor diferente.

Minha saudosa e querida avó materna, Raquel, era uma apaixonada por Paris, falava de suas ruas, seus museus e sua história de forma tão precisa que eu tinha a sensação que ela já havia estado lá mil vezes. Tamanha foi a minha surpresa quando descobri que ela nunca havia pisado na cidade luz. Quando descobri, nem acreditei. Minha avó só conseguiu efetivamente ir no seu aniversário de 80 anos. A frase que ela disse quando avistou a torre Eiffel?  “É um sonho realizar um sonho”. Sabia vovó! Essa frase ficará para sempre na minha memória… Viajar era mais difícil naquela época, isso é certo. Além do mais, o Google não fazia parte do nosso dia a dia. Como ela conhecia tão bem Paris? Apenas de livros, foi na literatura e na sua vasta imaginação que ela descobriu muito cedo a sua vocação para amar Paris. Bem naquela linha “nunca te vi sempre te amei”

Por causa da minha avó Raquel, desde muito cedo entendi que viajar na história dos livros não deixava de ser uma forma de movimentar nossa rotina e estar em outros mundos sem necessariamente sair do lugar. E, a sensação de conhecer um lugar outrora descrito apenas nos livros quando você teve tempo de imaginar, fantasiar e experimentar a partir de palavras que viraram sentimentos pode ser ainda mais especial.

Listei aqui alguns lugares onde história combinada com viagens fazem a diferença e onde para mim é quase impossível dissociar uma coisa da outra:

 1) Paris e o Existencialismo

Escolher ficar no lado esquerdo ou no lado direito do Rio Sena não é meramente uma questão geográfica, é também política, histórica e poética. Ler e acompanhar de alguma forma o existencialismo dos escritores Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir que ficaram famosos além das suas obras pela sua vida privada e por acreditarem no amor livre, sem preconceitos levando uma vida nada ortodoxa  que foi imortalizada nos cafés do lado esquerdo do Sena até hoje torna a experiência da visita ainda mais completa. O café Le Deux Magots hoje já um ícone turístico eemblemático desta época. Conheci um pouco da história dessa região pois estudei neste bairro em Paris aos 17 anos e, parte da aula de existencialismo foi proferida, justamente neste famoso café parisiense.

A frente do Les Deux Magot – Foto: Reprodução/Internet
Parte interna do Les Deux Magots – Foto: Reprodução/Internet

2) Delhi e Gandhi 

Quem nunca esteve na Índia imagina Delhi como uma a capital caótica e cheia de poluição. Isso ela é de fato, ninguém pode negar, mas chegando lá não demora muito tempo para você se apaixonar ainda mais pelas suas riquezas culturais e sentir que valeu a pena a longa viagem. Além de conhecer a cidade vizinha de Agra onde tem o famoso Taj Mahal, recomendo também Delhi por suas avenidas largas, herança da colonização britânica e a Birla House onde Mahatma Gandhi morreu assassinado em 1948 e hoje é um museu em sua homenagem. A triste ironia desse assassinato é que este mesmo homem foi quem deu origem ao movimento de independência da Índia e, até hoje inspira movimentos e revoluções a partir da não violência em todo o mundo. Conheci Delhi e senti completamente que a mentalidade de Gandhi reflete muito a mentalidade do indiano comum, apesar do aparente caos, existe lugar para uma paz e serenidade que são difíceis de explicar em palavras, mas que a gente simplesmente sente e a história, neste caso, é parte do presente também.

Birla House – Foto: Reprodução/Internet
A coluna do Martir, em Birla House – Foto: Reprodução/Internet

 

3) Atenas e a Grécia Antiga 

No colégio, minha matéria preferida sempre foi história, mais especificamente história antiga. Não podemos negar que o mundo moderno deve muito a esta civilização. A democracia, a matemática, o teatro são apenas algumas entre tantas outras coisas que fazem parte da política e do pensamento geral da sociedade moderna e que foram formulados nos tempos de Sócrates, Aristóteles e Platão. Estar no Parthenon para mim foi uma sensação de viagem no tempo, de volta ao passado diretamente para os livros de história da escola. E, como se não bastasse, o futuro que estava na minha frente na sequência dessa viagem eram as tão sonhadas ilhas gregas onde mesmo para quem não gosta do assunto “história”, é impossível não se apaixonar por aquele tom de azul da água combinados aquele tom de branco daquelas micro casinhas e ruelas sem fim.

O Parthenon, na Grécia – Foto: Reprodução/Internet

 

4) Viena e Freud

Você certamente já ouviu aquela expressão  “ah, Freud explica”, ele realmente explicou muita coisa, o homem era mesmo um crânio. Teorizou o complexo de Édipo entre tantas outras coisas nos Kaffeehaus (cafés) da capital austríaca enquanto lia um jornal e comia uma daquelas tortas de maçã ate chegar o momento de assistir a uma ópera. Vienna é  sempre encantadora, estive lá por duas vezes e é uma das cidades que mais amo no mundo. Estar na Áustria e não lembrar de Freud é quase impossível, para quem se identifica com a sua obra, uma visita ao museu dedicado a ele é uma boa pedida.

Museu de Freud, em Vienna – Foto: Reprodução/Internet
Parte interna do Museu de Freud, em Vienna – Foto: Reprodução/Internet

 

5) Washington DC e Martin Luther King 

Quem fez High School nos EUA sabe bem que a história norte-americana recebe uma atenção na escola muitas vezes até maior do que a história mundial. Não é a toa que o americano médio não sabe muito do que acontece abaixo do México (Lê-se “Nós”) sabe pouco sobre o Canadá, seu vizinho, mas sabe falar muito bem dos principais presidentes que fizeram sua história e seus heróis nacionais além, claro, de todos terem uma opinião formada sobre a guerra do Vietnam e a guerra contra o Iraque. Em Washington você sente isso tudo a flor da pele. Foi lá inclusive que Martin Luther King lançou aquela famosa “I have a Dream” – Eu tenho um sonho – que  deu origem as manifestações gigantescas contra a guerra do Vietnam. É lá também que está o memorial construído em homenagem a ele e em homenagem aos veteranos desta mesma guerra. Mas sabe como são as coisas né? Apesar disso, ainda vimos tantas mortes na guerra do Iraque, a história pode ensinar muito mas infelizmente nem sempre as pessoas querem aprender com ela. Independente de qualquer coisa, para quem tem interesse na política e na historia contemporânea a capital dos EUA é um prato cheio.

Memorial em homenagem à Martin Luther King – Foto: Reprodução/Internet
Monumento de Martin Luther King – Foto: Reprodução/Internet
Monumento aos Veteranos do Vietnã – Foto: Reprodução/Internet
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