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Após polêmica, Donata Meirelles pede demissão da Vogue Brasil

Donata Meirelles na sua festa de 50 anos - Foto: Reprodução/Instagram
A saída da diretora acontece poucos dias depois da repercussão envolvendo sua festa de aniversário em Salvador

Após polêmica envolvendo sua festa de 50 anos em Salvador, Donata Meirelles anunciou, nesta quarta-feira (13), a sua demissão da diretoria de estilo da Vogue Brasil. A informação foi divulgada pela jornalista Sonia Racy, do Estadão. Para anunciar a sua saída, donata fez um comunicado aos amigos lamentando a sua demissão:

“Com tristeza no coração, mas com a coragem e a cabeça erguida que sempre pautaram a minha vida, inicio um novo ciclo e peço demissão da Vogue Brasil, uma publicação que ajudei a construir. Te amo Vogue, te amo desde jovenzinha. Conte comigo para que você continue fazendo a diferença no mercado editorial e de moda,  defendendo e promovendo todas as belezas humanas, como eu continuarei a defender”.

Apesar da ex-diretora não explicar o motivo da sua demissão, há especulações.

Na sexta-feira (8), Donata Meirelles deu uma super festa de 50 anos no Palácio da Aclamação, no Campo Grande, em Salvador. A luxuosa comemoração contou com mulheres negras com vestidos brancos e turbantes para compor o espaço e tirarem fotos com os convidados. Um dos locais para fotos contava uma cadeira com espaldar redondo.

Um dos registros que gerou a polêmica – Foto: Reprodução/Instagram

A questão é que os internautas que viram os registros da celebração e alegaram que as baianas mais pareciam mucamas e as pessoas sentadas na cadeira pareciam estar no “trono de sinhá”. As fotos geraram polêmica e internautas e famosos se pronunciaram à respeito.

Uma das críticas veio da historiadora Lilia Schwarcz, que se manifestou em seu perfil no Instagram:

Antonia Fontenelle também se manifestou e declarou:

“Em pleno século 21, desculpa aí os ricos e famosos, mas não posso fingir que é normal. Como mãe de um filho negro não posso ver isso e achar que é só uma brincadeira sem consequências. Mas o que mais me deixa de queixo caído é que trata se de uma mulher de comunicação, diretora de uma das mais  importantes revistas, Vogue Brasil e esposa do maior publicitário desse país, Nizan Guanaes. O racismo e o preconceito até hoje matam. Pensem nisso senhores da comunicação, ou será que vocês não se importam com isso?”

 

Amiga de Donata, Preta Gil, também se pronunciou: “Não estava na festa, mas ao tomar conhecimento das imagens, sabia que seria polêmico”.

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O racismo é uma doença perversa que atinge a sociedade. E posturas, consideradas racistas e excludentes, foram naturalizadas ao longo dos séculos. Cada vez mais podemos falar sobre isso e desmitificar o preconceito que faz parte do cotidiano. A festa dos 50 anos de Donata, amiga que amo tomou conta das redes, não só pela grandiosidade do evento, mas pela escolha do receptivo vestido com roupas de baianas. Não estava na festa, mas ao tomar conhecimento das imagens, sabia que seria polêmico. Sou Preta, no nome e na pele. E cada vez mais busco me informar e saber como posso adotar uma postura antirracista e entender novos códigos que são latentes no mundo hoje. Em momentos assim, me sinto na obrigação de chamar meu amigo ou amiga e apontar o que considero errado e convidar para a construção de um novo debate sobre o tema. Como amiga, me sinto na obrigação de fazer o alerta, mas não abandonar. Fui cantar na segunda festa de Donata com amor e afeto. Eu creio que qualquer um, ao reconhecer um erro, mesmo sem intenção, dá um grande passo para a construção de um novo olhar e compreensão sobre algo que já deveria ter sido compreendido por todos, mas que ainda hoje infelizmente não é entendido. Não é mimimi, é real, incomoda, mata e machuca. E precisamos cada vez mais de aliados para dirimir os danos causados pelo racismo. Tudo isso serve de aprendizado para todos! Não estava em silêncio, estava conversando, fazendo o que faço sempre, escutando a todos e a partir disso formando minha opinião. No meio disso, li inverdades e críticas vindas de todos os lados, enquanto nos atacarmos sem diálogo não há evolução. PS 1: não estou fazendo militância seletiva porque não sou militante, mas nesse caso acho que se encaixa mais em Militância AFETIVA

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Em seu Instagram, a atriz Taís Araújo disse gostar de Donata, mas nem por isso deixou de criticar a temática da comemoração:

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Muitos têm me perguntado sobre a festa da Donata. Bom, ela é uma mulher que eu conheço e de quem gosto. O que aconteceu, no entanto, considero um erro, pois a festa foi feita por pessoas que trabalham com IMAGEM e sabem o poder que uma imagem tem. Não acredito que o desejo deles tenha sido retratar o Brasil Colônia, um período duro, mas uma IMAGEM fala mais que mil palavras e dez mil desejos. As comparações são inevitáveis. O que aconteceu ali é o que ocorre nesse país construído sobre o racismo, corpos, suor, sangue e lágrimas negros. Esse sofrimento é tão naturalizado que fica difícil para as pessoas que não se identificam com as moças de pé ao lado da cadeira sentirem o que a população negra sente. Tudo fica natural, passa a ser “mimimi”. “Mas agora tudo é racismo?” Bom, lamento dizer que, se "nem tudo é racismo", é sobre racismo que nossa sociedade foi construída. Mesmo que muitos de nós, negros, brancos e indígenas, não tenhamos consciência; mesmo que seja contra a nossa vontade; mesmo sentindo vergonha, esta é a nossa história. Cabe a nós, adultos, olhar para o nosso país com maturidade e crítica, e educar nossas crianças pra um futuro menos desigual. Reconhecer é um caminho. Errar faz parte do processo e o melhor do erro é ele ser o caminho para o aprendizado. Meu posicionamento sobre racismo estrutural tem sido dado em toda a minha carreira. Basta rolar o feed e você verá que me pronunciei em situações parecidas, como, por exemplo, quando uma marca fez uma estampa "celebrando" a escravidão. Mas evitei comentar quando, recentemente, um menino branco foi fantasiado pela mãe em uma festa como escravo, lembra? Isto porque meu pronunciamento está dado e não mudou. Nem mudará, e não preciso repetir sempre. É tudo a mesma coisa e, como já disse anteriormente, a escravidão deveria estar em livros de história e ter erguido museus para lembrarmos de seu horror e da dor e violência sofridas por seres humanos em mais de 300 anos. Proponho uma reflexão: pq essa imagem continua acontecendo dentro de muitos restaurantes, lugares públicos e lares sem que ninguém se movimente? Pq será que em nosso dia a dia não nos incomodamos e somos coniventes, hein, Brasil?

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Depois de muita repercussão, Donata chegou até a pedir desculpas e explicar que “nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa”:

 

A repercussão do caso não atingiu apenas a ex-diretora da Vogue. De acordo com a Folha de SP, seis das dez baianas que estavam na festa, precisaram prestar queixas na delegacia por conta de ofensas sofridas nas redes sociais. O caso fez com que elas perdessem também outros dois contratos pois os cliantes estariam temerosos que a presença das baianas nos eventos gerasse uma repercussão negativa.

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