Negritude PE

Orgulho de PE, Etiene Medeiros brilha na natação mundial

Etiene Medeiros com medalha de ouro nos 50m costas no Mundial de Natação de Budapeste - Foto: Satiro Sodre/SSPress/CBDA.
Atleta é a primeira personagem da nova série do site Roberta Jungmann.

Pernambuco é um estado muito amado por sua população. Apesar dos problemas que por vezes assolam a região, “ser pernambucano” é na maioria das vezes motivo de orgulho para quem aqui nasceu. Prova disso são as hashtags que fazem bastante sucesso nas redes sociais evidenciando esse lado bairrista. Podemos citar, por exemplo, as  “#pernambucoémeupaís” ou “#meupaíspernambuco”.

E é com esse mote pernambucano que o site Roberta Jungmann inicia a sua nova série de reportagens: “Negritude Pernambucana”. Nela, nós vamos conhecer a história de personalidades negras do estado que brilham aqui, pelo país, ou pelo mundo. São matérias pautadas na representatividade e que demonstram que apesar das injustiças e disparidades sociais, a população negra está conquistando o seu espaço. Muito ainda precisa ser feito, é verdade, mas contar essas histórias e trazer essa visibilidade permite que percebamos que todos os espaços sociais devem ser ocupados pela maior pluralidade de pessoas.

Orgulho de PE, Etiene Medeiros brilha na natação mundial
Etiene é principal nadadora do país – Foto: Igo Bione.

Para estrear o que pode vir a ser a primeira série com temática racial em sites de colunas sociais pernambucanas, nós vamos conhecer de perto uma personagem que extrapola as fronteiras. Finalista olímpica, Etiene Medeiros tem dado muito orgulho aos seus conterrâneos e a todos os brasileiros.

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Essa recifense de 29 anos, que há muito vem fazendo história, traz consigo uma carreira marcada por pioneirismos. Foi a primeira brasileira a conquistar a medalha de ouro em um Campeonato Mundial de Natação e também no Pan-Americano. Orgulha-se, é claro, dessas conquistas e faz questão de lembrar quem sempre esteve ao seu lado nos treinamentos.”

Orgulho de PE, Etiene Medeiros brilha na natação mundial
A atleta durante treino no Recife – Foto: Igo Bione.

Cada competição tem seu peso, seu brilho. Fico muito feliz. Significa muito para mim, para a natação feminina do Brasil. E eu acho que foi muito treino ao lado do meu técnico Fernando Vanzella, estamos há oito anos juntos”, contou, em entrevista exclusiva ao site Roberta Jungmann.

Eti, Eninha ou Ninha, apelidos pelos quais é chamada entre familiares a amigos, sabe o reconhecimento, e também o peso, que os títulos lhe trazem. “Sei bem o que representa isso, de ser o principal nome da natação feminina no País. Não somente em termos profissionais, mas também no lado pessoal, o crescimento para mim é muito bom. Hoje me dou bem com essa representatividade, as pessoas me olham como exemplo e acho isso muito gratificante e motivador, para chegar nas competições bem”, comenta.

A rotina de treinos é intensa – Foto: Igo Bione.
Mas o sorriso sempre a acompanha – Foto: Igo Bione.

Suas primeiras braçadas nas piscinas foi ao 1 ano e 7 meses de idade, quando seus pais optaram pelo esporte aquático para ajudar no tratamento da asma recém-diagnosticada. A bebê precisava, assim, de uma atividade física que minimizasse os efeitos da doença. Então a menina cresceu, o esporte virou profissão e os títulos vieram como coroamento. Já foi três vezes campeã do mundo. Atleta olímpica pela seleção brasileira, foi finalista na Rio 2016 na prova dos 50 metros livre. É também a atual recordista mundial dos 50 metros costas em piscina curta, feito alcançado em Doha 2014.

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Ela revela que por meio do seu trabalho e do seu sucesso na natação deseja incentivar as pessoas a buscarem seus sonhos. “Minha missão mesmo é mostrar para as pessoas que elas são capazes de correr atrás dos sonhos que elas querem alcançar, sendo o mais tranquilo e divertido possível quando o assunto é a área do esporte. Por isso, encaro de forma natural a pressão que possa existir por resultados”, explica.

 

Etiene vibrou muito com o ouro nos 50m costas em Doha – a primeira medalha do Brasil em disputa feminina na história da competição – Foto: Satiro Sodré/ SSPress.

Etiene foi finalista nas Olimpíadas do Rio. A medalha ainda não veio e com o adiamento dos Jogos para 2021 devido à pandemia, o projeto teve o prazo estendido. “Os aros olímpicos são uma coisa almejada por todos os atletas e é um peso estar lá. Então, eu pude ver depois da Olimpíada que ser um atleta olímpico, ser uma semifinalista e uma finalista olímpica tem seu peso. Imagina uma medalhista. Tem que sonhar e acreditar. Sou uma pessoa que constrói todos os dias, sempre ponderando tudo. Não sou uma pessoa que chego e falo ‘ah, vou ser campeã olímpica’. Não é assim. É tudo uma construção. Isso faz parte da evolução”, analisou a atleta.

Para buscar esse objetivo o dia a dia da pernambucana tem uma rotina bastante regrada: “O normal são treinos de segunda a sábado, três sessões de parte física, fisioterapia, psicólogo, médico, nutricionista. Em relação à alimentação, seguimos uma dieta passada pela nutricionista. O sono torna-se um fator muito importante com o decorrer da vida, quanto mais experiente maior dificuldade do corpo se recuperar, com isso devemos ter mais cuidados no dia a dia”.

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Morando em São Paulo há alguns anos, a saudade de casa é inevitável. “Sinto falta da família, comida e do calor humano pernambucano. Tenho uma família bem grande, fomos criados juntos. Também sou encantada por Carnaval, se pudesse não perderia uma ladeira de Olinda não. Mas tenho metas e sonhos a serem conquistados”, pontua.

Etiene olha sorridente para a medalha de ouro nos 50m Costas do Mundial de Budapeste – Foto: Reprodução.

Falar sobre sua terra natal é fácil para a nadadora. Ela, inclusive, sempre costuma dar dicas aos amigos que vêm conhecer a cidade. “Recife tem lugares maravilhosos. Sempre tento compartilhar e indicar a parte antiga. Pontos históricos no centro doe Recife. Nossa terra é muito rica culturalmente. Sempre mando a galera ir comer comida típica, pois acho que é um cartão postal da nossa cidade. E eu amo comer, o ato do sentimento que a comida trás para a gente. E Recife, Nordeste, a comida é amor. Sempre indico restaurantes para o pessoal ir e estar ligado direto à cultura recifense”.

O amor pela família e a importância dessa ligação também são facilmente perceptíveis. No seu site, inclusive, ela se descreve como “a filha de Dona Etiene Pires e Seu Jamison Medeiros”. É impossível não notar que até o nome da mãe ela herdou. “Família para mim é tudo. Família é minha base, minha raiz. Família não só representa pai e mãe, mas avós, tios, primos. O nordestino é assim, ele conta tudo. Temos uma relação muito forte com eles, que significa amor. Muita coisa boa. Já passamos por muitas dificuldades, mas família é meu alicerce”, destaca.

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É comum a vermos sempre alegre e sorridente, seja em uma entrevista para uma emissora de televisão ou no dia a dia compartilhado nas redes sociais. “Me considero uma pessoa feliz, alegre e divertida. Não 100% dos dias eu sou assim, porque sou uma pessoa normal, comum. Mas cresci numa família sempre muito divertida e disposta a levar amor e carinho para todos. Sempre tento estar com sorriso, algo que me move e me trás muita coisa boa”.

Pernambucana tem carreira marcada por pioneirismos – Foto: Igo Bione.
É campeão mundial nos 50m Costas – Foto: Igo Bione.

Toda essa alegria e energia que lhes são características não escondem o seu papel na luta por equidade de gênero. Etiene sabe as diferenças entre homens e mulheres, tanto no esporte quanto em espaços de mídia e publicitários. “A gente sabe que não é só na natação. Mas na sociedade em si. A mulher tem seu espaço reduzido, pelo fato de sermos talvez vistas como um gênero delicado. E quanto a isso eu sou totalmente contra. A gente sabe o quanto as mulheres batalham igual aos homens, para ter seu devido espaço. Eu, como qualquer outra, levanto muito essa bandeira. Na natação, os ponteiros são sempre homens. É difícil você ver uma reportagem na TV falando da natação feminina. E, quando fala, é de uma ou duas. Espero que, com toda essa batalha que venho traçando junto com as meninas, este espaço seja maior. A gente sabe que só estamos no início. É triste, mas estamos batalhando e não vamos perder essa esperança”, ressalta.

Trazendo consigo uma carga de representatividade muito grande, a atleta percebe as barreiras que precisou enfrentar na profissão. “Dentro do esporte, eu consegui ter força e muita perseverança para lutar pelo meu espaço, tendo a minha consciência como mulher negra, nordestina, brasileira”.  E falar sobre isso também se tornou essencial para ela. “Comecei a me dedicar pelo espaço que eu ocupo. Estudar, ler e estar compartilhando com outras mulheres. Hoje, eu sei do meu papel, da minha liderança não só no esporte, mas em diversos ambientes da sociedade. Ainda estou aprendendo, mas estou muito feliz por lutar e ocupar o espaço que temos direito”, destaca.

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Ela também revela o que acha que precisa ser feito para que o esporte tenha mais pluralidade. “A cultura do brasileiro é uma cultura breve, rasa. Não é uma cultura em que o esporte é inserido na base, na adolescência. Assim, não temos muita quantidade, quando chega na fase adulta. É preciso de educação dentro de casa. Precisa do governo aplicando e estruturando a sociedade para que venha crescer num todo. Eu falo isso no esporte, por eu ser esportista, mas vale para toda a gama de lazer e cultura. Esporte também é educação social”.

Atleta pernambucana brilha mundo afora – Foto: Igo Bione.

A jovem Etiene ainda tem muitos sonhos para seguir. “Etiene é cheia de sonhos. Etiene têm alguns já realizados, mas outros por vir. Tenho sonho de ser mãe. Acho que os sonhos vão se construindo quando a gente vai batalhando por projetos. Os sonhos vêm de acordo com o momento da vida. Sou uma bela sonhadora, batalho para tudo, mas sempre com um pezinho no chão”, diz.

E finaliza deixando uma mensagem para as meninas que sonham em ser atletas. E especialmente para as meninas negras que venham a se espelhar nela. “Não desista. Terá obstáculos, coisa boa, coisa ruim, coisas bem pesadas. Mas sempre busque estar vinculada a coisas positivas, pessoas positivas”.

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