O Raya, aplicativo de encontros famoso por reunir celebridades, influenciadores e executivos de alto nível, virou sinônimo de exclusividade — e frustração para quem tenta entrar. Hoje, a plataforma acumula uma lista de espera de 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo.
Apesar da curiosidade em torno de seus números, a empresa nunca revelou quantos usuários ativos possui. A estimativa é que a base esteja na casa das “seis baixas”, ou seja, algumas centenas de milhares. Para efeito de comparação, o Tinder conta com cerca de 50 milhões de usuários mensais.
A fórmula da exclusividade
Fundado em 2014 por Daniel Gendelman, o Raya mantém sua fama justamente por não abrir as portas para todos. O próprio CEO explica a lógica: “Todo investidor já me perguntou por que não deixamos mais pessoas entrarem. A resposta é simples: não queremos escalar a qualquer custo”.
A seletividade é tratada como parte essencial do apelo do app. “O Raya prospera porque muitos querem estar lá, mas não conseguem”, afirma Gendelman.
Como funciona a seleção
Com uma equipe enxuta de apenas 15 funcionários, o aplicativo analisa manualmente cada pedido de associação. Parte do time dedica-se exclusivamente à lista de espera, que é constantemente reavaliada.
“Buscamos pessoas gentis e atenciosas, que mantenham os princípios de privacidade e confiança da comunidade”, explica Ifeoma Ojukwu, vice-presidente de membros globais do Raya. Ela assumiu o cargo em 2021, após passagem pelo clube social Soho House, em Paris, também conhecido pelo caráter exclusivo.
Para fazer parte da comunidade do Raya, é necessário pagar. O plano de assinatura padrão começa em US$ 19,99 (R$ 121,41) por mês, se você optar por pagar mensalidades avulsas.
Mas não basta ter dinheiro. Para participar do app, é necessário cumprir uma série de critérios, como ter influência no Instagram e passar pela aprovação de um comitê, que mede o “grau de beleza” da pessoa e verifica se ela possui “aquele algo extra”, conforme explica o Raya em seu site oficial.
O funcionamento do app é similar ao Tinder. Ou seja, só é possível iniciar uma conversa quando os dois dão “match”. Além disso, o algoritmo do Raya busca alguém com a mesma média de seguidores que você tem no Instagram, considera a quantidade de amigos em comum que possuem conta na plataforma e o envio de convites feitos.
Conhecido popularmente como “Tinder para milionários”, o app ficou famoso por ter usuários como Luana Piovani, Anitta, Demi Lovato, Jennifer Lopez, Drew Barrymore, Ben Affleck, Luciana Gimenez, e muitos outros, tiveram conta por lá.
Desejo pela espera
Enquanto concorrentes disputam espaço em escala global, o Raya aposta na escassez como diferencial. Nesse modelo, a demora em conseguir aprovação deixa de ser um obstáculo e passa a fazer parte do atrativo.
Transformando a espera em desejo, o app sustenta sua imagem de clube fechado do mundo dos encontros online — o que o torna ainda mais cobiçado.

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