Aos 72 anos, o coreógrafo e dançarino Carlinhos de Jesus enfrenta um dos maiores desafios de sua vida. Após décadas dedicadas à dança, ele se encontra hoje em uma cadeira de rodas, consequência de problemas de saúde.
Depois de uma vida inteira dedicada à dança, estar hoje em uma cadeira de rodas causa um choque. Nunca me imaginaram assim, muito menos eu, que conquistei tudo rebolando, como costumo dizer. Não há nada que tenha conseguido ao longo de minha trajetória que não passe por samba ou dança de salão”, afirmou em depoimento à Veja.
O baque veio em junho, quando, durante um trabalho no Rio Grande do Sul, Carlinhos começou a sentir dores intensas no corpo. De volta ao Rio, procurou atendimento médico e recebeu o diagnóstico: bursite bilateral nos quadris associada a tendinite nos glúteos. O artista passou 15 dias internado, à base de morfina, para aliviar o sofrimento.
Atualmente, ele segue em tratamento intenso, com sessões de fisioterapia quatro vezes por semana, musculação, acupuntura e medicação contínua. Embora a causa exata da condição não seja definitiva, especialistas apontam o impacto acumulado de uma vida inteira dedicada à dança como fator determinante.
Resiliência diante da dor
Mesmo diante das limitações, Carlinhos mantém a mesma fé e determinação que o ajudaram a superar momentos trágicos do passado, como a morte de familiares próximos — entre eles, a perda do filho, assassinado no Rio em 2011, aos 32 anos.
Já fiquei sem chão muitas e muitas vezes e superei. É o que vai acontecer agora. Tenho fé e batalho com todas as ferramentas que estão ao meu alcance para sair dessa cadeira. À noite, quando fecho os olhos, me vejo de pé outra vez. Olho para o futuro com otimismo”, declarou.
A dança, segundo ele, continua sendo seu grande alicerce, mesmo em tempos de adversidade. “Uma certeza eu tenho: não importa o que aconteça, nunca vou largar a dança.”

 (1).gif)

.gif)