O músico britânico Paul McCartney, de 83 anos, conhecido por seu ativismo em defesa dos direitos dos animais, fez um apelo público à organização da COP30, que acontece em Belém (PA), neste mês de novembro. Em carta aberta dirigida ao presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e publicada pela revista britânica New Music Express, o ex-beatle criticou o fato de o cardápio do evento não ser totalmente vegano.
“Servir carne em uma conferência climática é como distribuir cigarros em uma conferência de prevenção ao câncer”, escreveu McCartney. “A indústria da agricultura animal é uma das maiores causadoras de desmatamento e da catástrofe climática que está assolando o planeta.”
A carta foi assinada em conjunto com a ONG Peta, entidade internacional de defesa dos animais, que também está presente em Belém com diversas ações de conscientização. Uma delas — protagonizada pela ativista Luisa Mell, que apareceu com o corpo pintado como o planeta Terra — viralizou nas redes sociais na última semana.
Na carta, Paul argumenta que a pecuária é responsável por cerca de 80% do desmatamento mundial e pediu que o evento alinhe sua prática à sua missão ambiental.
Peço que o senhor alinhe o cardápio da COP30 com sua missão, tornando-o totalmente vegetariano. Isso reduziria significativamente sua pegada de carbono e o impacto ambiental geral, servindo de exemplo positivo para o mundo.”
O cantor também elogiou a escolha da capital paraense como sede da conferência, mas lamentou que apenas 40% dos alimentos previstos sejam vegetarianos.
É apropriado que a COP30 seja realizada em Belém, a porta de entrada para a Amazônia, cuja floresta tropical é frequentemente chamada de pulmão da Terra por absorver e armazenar enormes quantidades de dióxido de carbono. Proteger a Amazônia deve ser prioridade máxima, por isso fiquei chocado ao saber que apenas 40% dos alimentos servidos serão vegetarianos.”
Defensor do vegetarianismo desde a década de 1970, McCartney relembra que sua mudança de hábitos começou ao lado de Linda McCartney (1941–1998), sua esposa, quando o casal teve uma “epifania” ao almoçar cordeiro enquanto um rebanho os observava na fazenda onde viviam. Desde então, Paul tornou-se um dos rostos mais conhecidos do movimento vegetariano, mantendo o ativismo mesmo após a morte de Linda.
Em seu texto, o músico reforça que o Brasil tem papel central na preservação da Amazônia, e que a COP30 deveria dar o exemplo global em sustentabilidade:
O próprio site da COP30 confirma que as refeições à base de plantas têm uma pegada de carbono substancialmente menor. Portanto, peço que deem o exemplo e façam com que a conferência seja inteiramente vegetariana.”




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